ISSN (suporte electrónico) 1646-3862
Revista Lusófona de Ciência Política e Relações Internacionais

 

 

ANO I - Nº 1 / 2

2005

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Europa

Problemas e Desafios

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Editorial

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Editorial

Desde que, em 1991, criei, na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, a primeira licenciatura portuguesa oficial em Ciência Política (Portaria nº 1124/91, de 10 de Outubro), esta área das Ciências Sociais e Humanas tem-se, felizmente, desenvolvido noutras Instituições universitárias públicas
e particulares. Na própria Universidade Lusófona, tal desenvolvimento vem assumindo as mais diversas modalidades e, para não referir-me às constantes iniciativas periódicas e aos numerosos protocolos
de cooperação (de que o último acaba de ser solenemente assinado com a Fundação Mário Soares), recordaria apenas, além da própria Licenciatura, agora designada de “Licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais” (reestruturação aprovada pela Portaria nº 50/2002, de 11 de Janeiro),
a criação dos três Mestrados em “Ciência Política: Cidadania e Governação” (Portaria nº390/99,
28 de Maio), em “Espaço Lusófono: Lusofonia e Relações Inter-nacionais” (Portaria nº 1188/2000, de 19 de Dezembro ) e em “História Política e Social” (Portaria nº 915/98, de 20 de Outubro), a abertura da “EPAP – Escola Prática de Administração Pública da Universidade Lusófona – Luís Sá” ,
a criação da “Sonda Lusófona – Centro de Sondagens e Estudos de Opinião” , a aprovação, pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, da “Unidade de Estudos e Investigação Ciência, Tecnologia
e Sociedade”
, a que se vem juntar, agora, a publicação da “RES-PUBLICA – Revista Lusófona
de Ciência Política e Relações Internacionais”
.
No estilo próprio de revista e obedecendo a todas as normas e exigências científicas (por exemplo,
na questão dos “Referees” ), a “RES-PUBLICA” faz inteiramente seus os propósitos que a primeira Licenciatura Portuguesa em Ciência Política anunciou em 1991: “A Política não é tudo mas tudo é Político (sobretudo o que e quem pretende não sê-lo, na linha da famosa sentença do filósofo Alain: «Se alguém diz que não é de esquerda nem de direita, já sei que é de direita!”») e os problemas políticos são problemas de todos os dias e de toda a gente e os problemas de todos os dias e de toda a gente são problemas políticos...”
E à semelhança das então nem sempre bem entendidas afirmações, também a “RES-PUBLICA – Revista Lusófona de Ciência Política e Relações Internacionais” desejaria contribuir para dar mais “classe” às “classes políticas” nacionais de Portugal e de todos os Países Lusófonos.

Post-Scriptum

Que, em tempos, ano da aprovação do “Tratado Constitucional da União Europeia” e da incrementação da “Declaração de Bolonha”, o primeiro número da “Res-Publica” consagre o seu “Dossiê” à questão
da Europa não precisa, obviamente, de explicação e menos ainda de justificação.
Como não precisa de explicação nem de justificação, mas apenas de realização efectiva, o que, contra todas as doenças infantis do Europeismo apátrida e contra todas as doenças senis do Anti-europeismo patrioteiro, tenho de mil modos repetido e procurado traduzir nas palavras programáticas: Portugal
só poderá ser plenamente e interessantemente Europeu enquanto Lusófono e só poderá ser plenamente e interessantemente Lusófono enquanto Europeu.
Nem poderá ser outro o sentido das palavras prvocatórias de Agostinho da Silva: “Temos de aderir à Europa, porque a Europa foi o único sítio do mundo onde os Portugueses nunca estiveram”.
Até porque tal “europeização lusófona” e “lusofonização europeia” de Portugal em nada se opõe, antes pelo contrário, ao diálogo omnitotidi-mensional com os demais Espaços humanos e geopolíticos do mundo contemporâneo, opondo-se sim e frontalmente à “loucura terrorista” e à “histeria anti-terrorista” que
o dia 11 de Setembro de 2001 despoletou na Humanidade e que, uma e outra, constituem, por razões diversas mas com possíveis idênticos resultados, sérias ameaças de regresso à barbárie, mediante
o incumprimento ou esquecimento das tão longas e tão difíceis conquistas que foram o Estado Democrático de Direito e as normas do Direito Internacional e da única e para todos (“Terroristas”, “Não-terroristas”
e “Anti-terroristas”) obrigatória “Carta-Magna” da Civilização que é a “Declaração Universal dos Direitos Humanos”.

Fernando dos Santos Neves
Reitor da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias e Director de “RES-PUBLICA – Revista Lusófona de Ciência Política e Relações Internacionais”

 

 


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